Quando eu era menino, desde pequeno, gostava de ciências, eletricidade, ficção científica e aviação. Pensava em ser piloto de avião. Como desenvolvi miopia, deixei esse sonho de lado e migrei para a engenharia, no caso a elétrica. Tinha um certa dificuldade com a matemática, mas não deixei que isso me impedisse de ir adiante.
Terminei o segundo grau, escolhi a universidade, passei no "vestiba" e comecei no curso de Engenharia Elétrica.
Pra começar são 4 semetres (se fizer todas as cadeiras no tempo certo) somente com matemática, ou seja, cálculos e geometrias, com algumas cadeiras de física. Nada de eletricidade ou eletrônica. O graduando já fica frustrado, pois se não for um "nerd" ou gênio em matemática, o sujeito fica penando bem mais que 4 semetres de básico. Daí que notamos como nosso ensino de segundo grau é fraco ! Cada cadeira de cálculo que, no caso da Eng. Elétrica são 5, são difíceis e exigem bastante do graduando, sem falarmos das de geometria e álgebra. Os professores eram de doer e não adiantava mudar de horário, pois a matéria era complicada mesmo !
Passado o nível básico tu já era visto como herói ou sobrevivente. Sim, porque muitos já desistiam no caminho, ou seja, de uma turma de 60 (mais ou menos), sobravam ceca de 20 ou menos.
No nível profissional o papo era outro. Muitas cadeiras à noite. Muitos doscente faziam questão de "ralar" os graduandos, chegando ao ponto de ministrar aulas com certos assuntos e exigir coisas completamente diferentes nos testes. Resultado: todos, ou quase, tomavam "bomba" nas provas. Dava vontade de dar uma surra em certos professores. Esse tipo de coisa desestimulava ainda mais, levando a novas desistências do curso, chegando ao final, na formatura, uns 5 ou 7 daqueles que iniciaram juntos.
Portanto, daí tiramos uma conclusão de que os cursos de Engenharia não são atrativos, pois são graduações difíceis e há (ou havia) doscentes despreparados tanto didaticamente quanto emocionalmente para ministrar aulas. Muitos nem sequer trabalhavam na área, eram mestres eou Phds sem nunca terem pisado em "chão-de-fábrica".
Engenheiro Eletricista formado, canudo na mão, vamos ao mercado de trabalho. Hoje fala-se muito que há carência de mão-de-obra especializada, não somente em Eng. Elétrica, mas também na Civil, Mecânica e Química. Ocorre que as empresas também querem profissionais recém saídos das universidades, mas pagando uma "merreca" de salário, abaixo do piso mínimo estipulado por Leis e Sindicatos. Aliás, Lei em nosso país não é garantia de coisa alguma, pois temos que buscar, muitas vezes, o direito nos tribunais.
Daí o camarada Engenheiro se sujeita em receber aquela "verba" que os caras chamam de salário. Sim, no fim não há remédio, pois o recém-formado, muitas vezes tem de pagar suas contas, pagar o financiamento educacional ou simplesmente sair debaixo das asas dos pais. Hoje as empresas inventaram algo novo para, no enteder deles, viabilizar a empregabilidade: a terceirização, ou seja, a pessoa tem de constituir uma empresa (CNPJ) e terá de cumprir regime de trabalho no empregador, aliviando este de "alguns encargos trabalhistas" (sonegação ???). Coisa que, aos olhos do MT é totalmente ilegal, pois caracteriza vínculo de emprego, mas a galera tem feito isso e ninguém reclama, ou seja, a categoria se submete a esse tipo de absurdo. Fazer o que não é mesmo ? Será que os Advogados e os Médicos fazem assim também ???
Falo isso tudo para explicar alguns dos motivos da pouca valorização de uma categoria que deveria, e deve, ser mais valorizada, a começar por nós mesmo, ou seja, pelos próprios Engenheiros !!! Sim, porque muitas vezes são esses os empregadores, e se valem dos expedientes acima para sacanear e explorar seus próprios colegas. Onde está ética entre nós ???
Sim, falta ética entre nós, realmente! Falta vergonha na cara de professores, que deveriam ter mais vocação para ministrarem suas aulas, bem como planejamento e/ou conhecimento. Falta de controle das universidades, que deveriam monitorar os porquês de repetências em certas cadeiras e com certos doscentes. Falta de fiscalização do poder público nas empresas para evitar abusos e falcatruas como as descritas acima.
Engenheiros, vamos mudar tal situação ! Vamos repensar e mudar nossas atitudes conosco, com o mercado de trabalho e com a sociedade. Temos um papel importantíssimo no progresso do Brasil. Somos nós que moldamos e construimos as cidades, suprimos com energia, abastecemos com tecnologias e projetamos o futuro seguro e sustentável.
Reflitam e mudem de atitude !!!
Abraços !
Eng. Eletricista Adriano Roque de Arruda
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